Filme “Spotlight” narra bastidores da pedofilia na Igreja Católica; Casos brasileiros são citados

0
O escândalo que revelou a prática de pedofilia por dezenas de padres ao redor do mundo começou com uma investigação jornalística que terminou em uma premiada reportagem. E a história dessa reportagem agora ganhou as telonas.
O filme “Spotlight – Segredos Revelados” estreou nos cinemas brasileiros na última quinta-feira, 07 de janeiro, narrando a história que resultou na acusação de 249 padres por abusarem sexualmente de mais de 1500 vítimas somente na região de Boston, além da renúncia de um cardeal, que terminou transferido para o Vaticano.
No filme, casos de abusos sexuais em quatro cidades brasileiras também são mencionados: Franca (SP), Arapiraca (AL), Mariana (MG) e Rio de Janeiro (RJ).
“Spotlight” revela os bastidores do jornal norte-americano The Boston Globo, que descobriu o esquema de acobertamento de casos de pedofilia na Igreja Católica, incluindo acordos judiciais sem registro e com imposição de silêncio às partes.
A produção foi indicada a três prêmios no Globo de Ouro, como “Melhor Filme – Drama”, “Melhor Diretor” e “Melhor Roteiro”, além de já ter sido premiada como “Filme do Ano” pelas entidades American Film Institute e National Board of Review, além de prêmios equivalentes pelas associações de críticos de cinema de Nova York e Los Angeles.
O ator Mark Ruffalo (conhecido pelo papel de Hulk nos filmes de “Os Vingadores”) interpreta o protagonista da história, jornalista Mike Rezende, que foi criado na tradição católica. “Antes, padres eram dispensados da obrigação legal de ter de reportar abusos sexuais, mas hoje a lei estadual mudou”, disse o jornalista em entrevista à Folha de S. Paulo, revelando que a reportagem da qual participou gerou impacto social e legal na cidade.

Brasil

Sobre os casos brasileiros mencionados no filme, a Folha apurou que o padre de Franca, José Afonso Dé, 82 anos, foi condenado a 82 anos de prisão pelo abuso de quatro adolescentes nos anos 2010, mas recorre da sentença em liberdade.
Na cidade de Arapiraca, o monsenhor Luiz Marques Barbosa, 87 anos, recebeu sentença de 21 anos de prisão. Durante o processo, um vídeo em que ele aparecia fazendo sexo oral em um adolescente vazou, o que ampliou a revolta popular. Após a condenação, Barbosa passou apenas 15 dias preso, porque a Justiça aceitou seu pedido para recorrer em liberdade da condenação.
Outros dois padres de Arapiraca, Edilson Duarte e Raimundo Gomes foram condenados a quatro anos e quatro meses de prisão cada um. O primeiro ainda recorre em liberdade, enquanto o segundo morreu em 2014 após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
a cidade mineira de Mariana, o padre Bonifácio Buzzi foi condenado a 8 anos de prisão, que foram concluídos em 2015.
Por fim, no Rio de Janeiro, foram diversos casos, e um dos mais recentes é o do padre Edmílson Soares Corrêa, que foi indiciado por abusar de duas irmãs, uma de 10 anos e outra de 19.

Jihadista mata mãe porque ela pedia para ele deixar o Estado Islâmico

0
Um jihadista de 20 anos matou a mãe na cidade de Al-Raqqah, na Síria nesta quinta-feira (7), de acordo com observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).
A mulher de cerca de 40 anos incentivava o filho a deixar o Estado Islâmico e abandonar a cidade onde a coalizão tem matado integrantes do grupo.
O filho falou para a organização sobre a mãe e cometeu o crime perto do prédio dos correios onde ela trabalhava na frente de centenas de pessoas.

Vídeos: ONU trabalha para salvar sírios assolados pela fome extrema

0
O governo da Síria concedeu nesta quinta-feira (8) permissão para a Organização das Nações Unidas (ONU) coordenar a ajuda humanitária a três localidades que se encontram sitiadas, incluindo a cidade de Madaya, perto de Damasco. Madaya está cercada por tropas fiéis ao ditador Bashar Assad e boa parte da população está passando fome. Assista abaixo os vídeos daSyrian American Medical Society que tem denunciado as atrocidades cometidas na Síria
“A ONU se prepara para entregar ajuda humanitária nos próximos dias”, informa um breve comunicado das Nações Unidas. Nas outras duas cidades que serão ajudadas, Foah e Kefraya, a população também está resistindo a um cerco debilitante após as tropas sírias cercarem grupos rebeldes que lutam para derrubar Assad. O cerco já dura desde abril.
De acordo com o jornal britânico ‘The Guardian’, os moradores estão céticos de que as entregas de suprimentos vão ser suficientes. Madaya, Foah e Kefraya são apenas os exemplos mais recentes de uma estratégia cruel utilizada pelas tropas de Assad: fazer um cerco para impedir a entrada de alimentos e forçar os rebeldes a se entregarem, não se importando com o sofrimento da população civil. Áreas como Ghouta, nos subúrbios de Damasco, e o campo de refugiados de Yarmouk, ao sul da capital, sofrem bloqueios semelhantes.
Ainda não está claro como será a ajuda permitida em Madaya, a cidade mais afetada, onde os adultos e crianças, para sobreviverem, tiveram de comer grama, folhas e “sopa” de água com ervas. Com a escassez de alimentos, um quilo de arroz na cidade chega a custar o equivalente a 250 dólares (ou quase 1.000 reais) – quantia exorbitante e inviável para a maioria da população. A última prestação da ajuda humanitária na cidade foi em outubro, e agora há escassez de tudo, inclusive de leite para as crianças e de produtos médicos básicos, como anti-inflamatórios e analgésicos. Agentes da ONU informam que centenas de pessoas, sobretudo idosos e crianças, já morreram de fome em Madaya.
“Madaya não está à beira de uma catástrofe humanitária, já é uma catástrofe humanitária”, disse um agente de saúde. “A visão das ruas é assustadora. Sabemos que as pessoas pensam que estamos exagerando, mas acreditem em mim, é pior do que qualquer exagero”, disse o agente ao jornal britânico, temendo se identificar por temer represálias do regime.
A guerra civil na Síria, que matou mais de 220.000 pessoas, já dura quase quatro anos e não há indicações de que o conflito esteja próximo do fim. Os esforços para promover um diálogo entre representantes do regime do ditador Assad estão paralisados. Os protestos contra o regime para tirar Assad do poder se transformaram em uma violenta guerra civil sectária que dividiu ainda mais o país. A oposição síria moderada perdeu espaço com o avanço de diversos grupos extremistas, sendo o Estado Islâmico o mais poderoso deles.